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Blog / Diretriz

Dor na coluna que não passa: o que a OMS recomendou em 2023

A primeira diretriz da Organização Mundial da Saúde sobre dor lombar crônica saiu em dezembro de 2023. Ela diz o que fazer, e também lista 14 coisas para não fazer.

Imagem editorial produzida para este texto. Não é paciente nem consultório real.

Victória Bretanha Luz

Fisioterapeuta formada pela Universidade Católica de Pelotas, osteopata formada pela Escola de Osteopatia de Madrid

Diretriz · 6 min de leitura · 2026-09-25

Quem convive com dor nas costas há meses já ouviu de tudo: que é postura, que é idade, que é emocional, que é bico de papagaio, que é só tomar anti-inflamatório e esperar. Em dezembro de 2023 a Organização Mundial da Saúde publicou a primeira diretriz dela sobre o assunto, e o documento tem uma vantagem rara: ele diz o que fazer e também diz, com nome e sobrenome, o que não vale a pena.

O que a evidência diz

A diretriz se chama WHO guideline for non-surgical management of chronic primary low back pain in adults in primary and community care settings. Traduzindo o título: manejo não cirúrgico da dor lombar primária crônica em adultos, na atenção primária e comunitária.

Duas definições importam antes dos números. Crônica quer dizer dor que dura mais de três meses. E primária quer dizer dor que não é causada por uma doença de base identificada. Segundo a própria OMS, esse é o caso de pelo menos 90% das pessoas com dor lombar crônica que chegam na atenção primária.

619 milhões

de pessoas viviam com dor lombar em 2020, cerca de 1 em cada 13. A projeção é de 843 milhões em 2050

Organização Mundial da Saúde, dezembro de 2023

619 mi

pessoas com dor lombar em 2020

+60%

desde 1990

843 mi

projeção para 2050

8,1%

de todos os anos vividos com incapacidade em 2020

Organização Mundial da Saúde, diretriz de dezembro de 2023

Mais dois números do documento: o total cresceu 60% desde 1990, e a dor lombar respondeu por 8,1% de todos os anos vividos com incapacidade no mundo em 2020. Não é uma queixa pequena que a gente inflou de importância. É a queixa que mais tira gente da vida normal.

O que a diretriz recomenda:

  • Programas de educação que ajudem a pessoa a entender o problema e a se cuidar
  • Programas de exercício
  • Algumas terapias físicas, entre elas a manipulação vertebral e a massagem
  • Terapias psicológicas, como a terapia cognitivo-comportamental
  • Anti-inflamatórios não esteroides, com critério

O que ela recomenda não usar (são 14 intervenções na lista, estas três aparecem entre as citadas no anúncio da própria OMS):

  • Cintas, coletes e suportes lombares
  • Algumas terapias físicas, como a tração
  • Opioides, pelo risco de dependência e overdose

O que isso quer dizer pra você

O fio que costura a lista do "sim" é o mesmo: o que funciona te mantém ativa e te dá autonomia. O fio da lista do "não" também é único: o que promete resolver com você parada, imobilizada ou anestesiada tende a não sustentar resultado.

Isso muda a conversa dentro do consultório. Uma sessão de terapia manual não é um conserto que você recebe de forma passiva. Ela é o que destrava movimento e reduz dor o suficiente pra você voltar a se mexer, e o que você faz entre as sessões é metade do tratamento. Quando alguém te promete alívio definitivo sem que você precise mudar nada na rotina, a promessa está brigando com a diretriz.

Também muda a expectativa de tempo. Dor que existe há três meses ou mais raramente desaparece em uma sessão, e desconfiar de quem garante isso é sinal de bom senso, não de pessimismo.

Levar anotado na primeira consulta ajuda mais do que parece:

Fontes

  • Organização Mundial da Saúde. WHO guideline for non-surgical management of chronic primary low back pain in adults in primary and community care settings, dezembro de 2023. who.int/publications/i/item/9789240081789
  • Organização Mundial da Saúde. WHO releases guidelines on chronic low back pain, 07/12/2023. who.int/news

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