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Enxaqueca crônica: o que um ensaio clínico de três grupos testou
105 pacientes de um serviço de neurologia, três grupos, oito sessões em seis meses. O que o estudo mediu, e por que um estudo não fecha a questão.

Quem tem enxaqueca crônica aprende a organizar a vida em volta dela: o remédio na bolsa, o compromisso que talvez precise ser desmarcado, a conta de quantos dias do mês foram perdidos.
Terapia manual tem alguma coisa a oferecer aí? Existe um ensaio clínico que testou exatamente isso, e vale conhecer o que ele mediu e também o tamanho dele.
O que a evidência diz
O estudo é de Francesco Cerritelli e colegas, publicado em 2015 na Complementary Therapies in Medicine. Foi conduzido com pacientes atendidos no departamento de neurologia dos hospitais de Ancona, na Itália, com diagnóstico de migrânea e sem doença crônica associada.
Desenho: 105 pessoas divididas em três grupos e acompanhadas por seis meses, com oito sessões no período.
- Grupo 1: tratamento osteopático mais medicação
- Grupo 2: tratamento simulado (sham) mais medicação
- Grupo 3: só medicação
O desfecho principal era a mudança no HIT-6, um questionário que mede o quanto a dor de cabeça impacta a vida da pessoa.
de redução no HIT-6 no grupo de tratamento osteopático em comparação com o cuidado convencional (intervalo
de confiança de 95%: -12,96 a -4,52; p < 0,001)
105 pacientes, 3 grupos, 8 sessões em 6 meses. Cerritelli et al., 2015.
Ver como tabela
| Comparação | Estimativa (pontos no HIT-6) | IC 95% |
|---|---|---|
| Osteopatia vs cuidado convencional | -8,74 | -12,96 a -4,52 |
| Osteopatia vs tratamento simulado | -6,62 | -10,85 a -2,41 |
Os outros resultados relatados:
- HIT-6 também melhor contra o grupo de tratamento simulado: -6,62 pontos (-10,85 a -2,41; p < 0,001)
- Consumo de medicação: risco relativo de 0,22 contra o simulado e 0,20 contra o grupo de só medicação
- Dias de migrânea e intensidade da dor com diferença a favor do grupo osteopático
- Incapacidade funcional com diferença a favor do grupo osteopático (p < 0,001)
Os autores concluem que os achados sugerem que o tratamento osteopático pode ser considerado um procedimento válido no manejo de pessoas com migrânea. O estudo foi registrado previamente (ClinicalTrials.gov, identificador NCT01851148), o que é um bom sinal de método.
O tamanho disso, com honestidade: é um ensaio, com 105 pessoas, num serviço específico, com um protocolo específico de oito sessões. É um resultado encorajador, não uma prova definitiva. Um resultado assim pede replicação em estudos maiores antes de virar recomendação geral, e é por isso que você não vê isso escrito como certeza em diretriz nenhuma.
O que isso quer dizer pra você
Que vale conversar, com expectativa calibrada, e que existem duas informações úteis nesse estudo além do resultado principal.
A primeira é o tempo: oito sessões ao longo de seis meses. Não é uma sessão mágica, é um processo com começo, meio e reavaliação.
A segunda é o desenho do cuidado: no estudo, o tratamento osteopático foi somado à medicação, não usado no lugar dela. Quem trata enxaqueca crônica e é acompanhado por neurologia não troca uma coisa pela outra.
O que eu costumo avaliar em quem chega com dor de cabeça recorrente é se existe componente cervical e de musculatura da região envolvido, porque tensão no pescoço e dor de cabeça frequentemente chegam juntas. Isso não substitui o diagnóstico da dor de cabeça, que é médico.
Fontes
- Cerritelli F, Ginevri L, Messi G, Caprari E, Di Vincenzo M, Renzetti C, Cozzolino V, Barlafante G, Foschi N, Provinciali L. Clinical effectiveness of osteopathic treatment in chronic migraine: 3-armed randomized controlled trial. Complementary Therapies in Medicine, abril de 2015. PubMed 25847552