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Victória LuzOsteopatia Fale com a especialista

Blog / Diretriz

O que a Lancet disse em 2018 sobre o jeito errado de tratar dor lombar

Uma série da revista médica mais citada do mundo resumiu o consenso das diretrizes e apontou a distância entre o que a evidência diz e o que se faz nos consultórios.

Imagem editorial produzida para este texto. Não é paciente nem consultório real.

Victória Bretanha Luz

Fisioterapeuta formada pela Universidade Católica de Pelotas, osteopata formada pela Escola de Osteopatia de Madrid

Diretriz · 5 min de leitura · 2026-09-25

Em março de 2018, a Lancet publicou uma série de três artigos sobre dor lombar. Não era um estudo novo: era um grupo de pesquisadores de vários países, o Lancet Low Back Pain Series Working Group, resumindo o que as diretrizes clínicas do mundo inteiro já concordavam e apontando o que ainda se faz de errado.

Vale ler porque quase tudo que uma paciente ouve por aí sobre dor nas costas aparece nessa lista, de um lado ou de outro.

O que a evidência diz

O segundo artigo da série, de Nadine Foster e colegas, chama-se Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. O resumo dele faz quatro afirmações.

Primeira: as diretrizes concordam. Muitas diretrizes clínicas recomendam abordagens parecidas: um enquadramento biopsicossocial, tratamento inicial não farmacológico, educação que apoie o autocuidado, a retomada das atividades normais e exercício, e programas psicológicos pra quem tem sintomas persistentes.

Segunda: medicamento, exame de imagem e cirurgia entram com prudência. As diretrizes recomendam uso criterioso de todos os três.

"Fazer mais do mesmo não vai reduzir a incapacidade relacionada à dor lombar"

é a frase central do resumo, sobre a distância entre o que se recomenda e o que se pratica

Foster et al., The Lancet, 9 de junho de 2018

Terceira: existe um abismo entre evidência e prática. Globalmente, o uso dos tratamentos de primeira linha recomendados é limitado, enquanto é inapropriadamente alto o uso de exame de imagem, repouso, opioides, injeções na coluna e cirurgia.

Quarta: as evidências têm limites. Os ensaios vêm quase só de países de alta renda, focam em tratamento mais do que em prevenção, e há pouco dado sobre custo-efetividade.

O que os autores apontam como os avanços com maior potencial: alinhar a prática com a evidência, reduzir o foco em anormalidades da coluna e garantir promoção de atividade e função, inclusive a participação no trabalho.

O que isso quer dizer pra você

Que a conversa "vamos ver o que o exame mostra e aí a gente decide" está do lado errado dessa lista, e que "vamos entender o que você faz, o que dói, o que te tira do movimento e começar por aí" está do lado certo.

Que repouso não é tratamento. Que injeção e cirurgia são exceção, não rota. Que o profissional que te mantém ativa, te explica o que está acontecendo e te dá o que fazer entre as sessões está seguindo o que a literatura pede, mesmo que pareça menos "resolutivo" do que uma solução rápida.

E que terapia manual, dentro disso tudo, é uma ferramenta de primeira linha quando vem acompanhada, tema do post sobre a diretriz do NICE.

Fontes

  • Foster NE, Anema JR, Cherkin D, Chou R, Cohen SP, Gross DP, Ferreira PH, Fritz JM, Koes BW, Peul W, Turner JA, Maher CG; Lancet Low Back Pain Series Working Group. Prevention and treatment of low back pain: evidence, challenges, and promising directions. The Lancet, 9 de junho de 2018 (online em 21 de março de 2018). PubMed 29573872

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